05/07/2008 00:35

BLOG - Jornal da FLIP

A FESTA DOS ESCRITORES JOVENS

Eles e elas chegaram ao palco da FLIP pela estrada lierária da PIAUÍ, revista de João Moreira Salles.Fizeram boa figura com sua juventude e suas leituras.Adriana pesquisa a rodoviária e encontra a ingenuidade das questões colocadas no balcão de informações. Desde a mulher que desejava ir imediatamente para o Iraque, quanto o cara que procurava o Pelé, que deveras atende o chamado do auto falante: Edson Arantes do Nascimento. Vanessa e Emílio fazem o que pensei só fosse possivel ser feito no piano: escrever a quatro mãos.Mas fazem e fizeram com maestria. Não chega a ser a execução de Marta Argerich e Nelson Freire, mas dá pro entendimento. Engraçado,ninguém mais é escritor em tempo integral. Todo mundo trabalha fora, na agência de publicidade, no jornal, na revisão, na bolsa de valores. Longe a Belle Époque, quando ninguém trabalhava, só escrevia. Longe os empregos públicos que produziram grandes escritores como Mario de Andrade e Carlos Drumond de andrade, sem contar os diplomatas, Vinicius e Guimarães Rosa. Eram todos escritores profissionais.
João M. Salles conduziu a mesa com a discreção que deus lhe deu e ele ainda ampliou um pouco.
enviada por Jorge da Cunha Lima



04/07/2008 18:17

BLOG - Jornal da Flip

O ALMOÇO - uma festa imperial

A Imprensa Oficial, hoje uma das melhores editoras nacionais, anda pela FLIP, promovendo autores e livros, vendendo livros e reunindo autores, leitores e patrocinadores. No almoço da Casa do Príncipe, carinhosamente chamado de D. Joãozinho pela população local,reuniram-se os palestrantes da FLIP, os mediadores, leitores ilustres, criticos literários e jornalistas.
Eu estava sentado na mesa com Roberto Scwartz, Grecia, sua mulher, Margarida Cintra Gordinho, quando um homem simpático, de cabelos brancos, pediu para sentar-se conosco. Era Tom Stoppard, o grande dramaturgo que escreveu " Rozencrantz e Guildenstern". Pessoa agradável falou de seu encantamento pelo Brasil. Tudo amor a primeira vista.Logo sentou-se Elisabeth Roudinesco, escritora especializada no tema da perversão, que tem pesquisado a matéria desde que fez uma palestra em Belo Horizonte, há anos. Explicou-nos porque acha Bin Laden ainda pior do que Bush e porque considera o terrorismo uma forma de perversão. Discutiu o papel do consentimento, que ameniza a perversão. Todos apreciaram a caipirinha de abacaxi feita com cachaça produzida na destilaria imperial.
enviada por Jorge da Cunha Lima



04/07/2008 18:00

BLOG -Jornal da Flip


MELODIA - A Festa do Samba

Neste ano, o show inaugural foi dos melhores. Melodia e uma banda de craques, alegres e iluminados. Tocaram samba para festa grande. De Pérola Negra a um baião de Luiz Gonzaga, arrasaram. Melodia está muito maduro desde que estreou no Festival da Globo há trinta anos, ao lado de Djavan e Carlinhos Vergueiro.Trouxe ao FLIP sua marca de brasilidade.Foi uma das melhores aberturas musicais dos últimos FLIP.































enviada por Jorge da Cunha Lima



04/07/2008 11:10

BLOG JORNAL DA FLIP

PARATY É UMA FESTA

Para quem vai ao auditório, previamente lotado, é uma festa intelectual e de grandes novidades literárias, nacionais e internacionais. Para quem vai ao galpáo, a festa é menos pessoal e mais eletrônica. Hã festas paralelas: no centro cultural do JB, no Centro cultural da cidade, no chat da revista BRAVO, no estudio da da TV Cultura. Há festa nas ruas, com doceiras inesquecíveis. Na praça da matriz se pode comer pasteis com cerveja e amigos. Uma felicidade. Lembra o Guarujá dos anos cinquenta e 60. Mas é uma festa de elite. Enquanto em Viena, Austria, se pode hospedar num hotel 4 estrêlas do mesmo século XVIII, por 100 euros, em Paraty, numa boa pousada, se paga mil reais por noite.

D.CASMURRO É UMA FESTA CRUEL

Roberto Schwartz iniciou a FLIP. Falou do título D.Casmurro. Da crítica, que durante anos canonizou os valores burgueses de Bentinho e detratou os valores racionais da bela Capitu. Mostrou o quanto a sociedade escravagista, paternalista, clientelística e autoritaria foi denunciada por Machado de Assis. Mostrou que esquerdistas e modernistas formam contra Machado. Até que a crítica internacional descobriu o verdadeiro significado de sua obra, na qual o poder era ditado pelo controle do patrimônio. Primeiro o da a mãe, depois Bentinho. Pleno de poder, ciúme e a certeza de que a mulher e o filho não eram seus, o ex-seminarista,expulsou-os para a morte e para a Suiça. Disso pode-se tirar, segundo Roberto,no que tudo se resume:
"Charme de classe e perseguição a tudo que ande de cabeça erguida".


enviada por Jorge da Cunha Lima



30/06/2008 17:12

SARAMAGO E A CRUELDADE HUMANA

AINDA O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

A cada página que avancei na leitura de “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Saramago, fui-me convencendo de que o mundo sem organização conduz o mais nobre dos animais, o homem, a mais torpe degradação.
Sempre tive uma enorme antipatia pela palavra ordem, apesar de ter enviado meus primeiros poemas para a revista católica A ORDEM, editada no Rio pelo Centro D. Vital. Ordem sempre me deu a idéia de autoritarismo, uma tentativa de substituir os outros valores da sociedade, por esse valor de controle da liberdade, que a ordem pressupõe.
Não é afinal a ordem que justifica todas as organizações policiais e militares? Não é a ordem que pretende unificar e mesmo padronizar todos os comportamentos, deixando o homem engessado num único perfil, nem sempre o melhor?
Pois, á medida que o universo da ficção de Saramago vai ganhando concretude com a progressão da cegueira no romance, percebemos que os cegos desorganizados e desordenados, em sua luta pela busca do leito, da comida, da privada, do prazer sexual, tornam-se repelentes animais, destruindo-se uns aos outros.
A mínima satisfação das necessidades primárias de cegos aprisionados pelo sistema político num manicômio, para evitar o contagio (causa presumível da expansão da cegueira), se transforma num tumulto incontrolável e, o que é pior, numa inimaginável exploração do cego pelo cego, o que nos parece romanticamente impossível.
Saramago nos mostra que é. Numa certa altura da leitura temos vontade de jogar o livro pela janela. Vontade de fechar os olhos para não ver aquela metáfora de um mundo impiedoso. Mas prosseguimos até o fim e terminamos a leitura, exaustos de nós mesmos, exaustos da condição humana.
Não vi ainda o filme do Meirelles. Mas ele devia estar louco quando decidiu filmar o romance. Soube que na primeira exibição dezenas de pessoas se retiraram da sala. Meirelles teve de simplificar o roteiro e retirar algumas cenas insuportáveis.
Pois é, torna-se necessário que uma sociedade fique cega para enxergarmos a sua crueldade.


enviada por Jorge da Cunha Lima



28/06/2008 17:35

UM BRASIL RICO NÃO BASTA

UM BRASIL RICO NÃO BASTA

Apesar da crise internacional que se avizinha, com a queda das bolsas, o preço do petróleo, a estagnação econômica prevista para algumas grandes potencias, a inflação que se insinua universal, a crise energética e ambiental, o Brasil se projeta para ser uma grande nação nos próximos vinte anos.
Temos, como se sabe, um espaço privilegiado para a produção de commodities agrícolas, possuímos reservas imensas de petróleo, temos água para produzir energia limpa, conhecemos a melhor perspectiva para a produção de etanol, sem prejuízo para a agricultura, construímos um parque industrial bastante maduro, um sistema financeiro sólido, tanto do ponto de vista tecnológico quanto de serviços. Isso tudo, aliado a uma população etnicamente generosa e politicamente aberta, possibilita o advento de uma grande nação com características adequadas a este novo período da história universal.
Contudo, a relativa ignorância cultural de nossa burguesia, o atraso educacional quase endêmico e o distanciamento das classes sociais, pode desfigurar todas essas perspectivas e oportunidades. Podemos dizer inicialmente que a principal questão e que antecede à precariedade educacional é o problema da cultura.
O poder político e as elites econômicas não dão a menor bola para o desenvolvimento cultural e a criação artística. Consideram essas questões dois acidentes, ora para perturbar a cabeça dos jovens, ora para enfeitar o supérfluo da estética burguesa. Quando não caem na grosseria de achar que cultura é coisa de comunista e de veado. Sobra-lhes no máximo a fruição social dos eventos do mercado comercial da arte e o uso inadequado dos incentivos fiscais para suas empresas.
Claro que essa avaliação pessimista tem suas exceções, como tudo o que se quer demonstrar.
Mas isso precisa mudar para que o Brasil seja uma grande potência e a América Latina uma oportunidade. A União Européia não começou com a unificação da moeda. Terminou. Começou com um profundo ajuste cultural entre nações tão diversas quanto inimigas. Ajuste no interior e na fronteira das nações.
Como nosso povo é senhor de uma imensa criatividade e nossas instituições tem virtudes para assumir o melhor, falta apenas uma política cultural que não atrapalhe a vocação natural do homem e da sociedade brasileira para produzir arte e conhecimento.
A crise da TV Brasil e a incompreensão política com relação à TV Cultura são provas disso.



enviada por Jorge da Cunha Lima



25/06/2008 12:05

HAMLET NUM PAÍS TROPICAL


Não há nada mais atual do que Hamlet.
A peça contempla a questão da traição, do poder, do erotismo e da violação do sentimento humano. Claro que há em Shakespeare um universo ainda mais amplo do que essas circunstâncias óbvias. Mas é com obvio que se constrói a realidade política e social.
Em Shakespeare há sempre dois amores: o amor erótico e o amor sublime. Ambos conduzem à tragédia, como se o amor não fosse uma dádiva da construção mas um elemento da própria destruição. O universo de Shakespeare parece concentrar-se nas cortes, espaço simbólico da realização e condução dos destinos.
Hoje, o espaço do poder republicano tem cenários múltiplos, cada um dos poderes com suas próprias vestes elizabetanas. Só as ditaduras latino americanas concentram a tragédia ou a comédia nos palácios do governo. Os mais shakespereanos dos políticos no Hemisfério Sul, Getulio Vargas e Salvador Allende consumiram-se in loco. Os mais ridículos saíram por ai, com a faixa no peito e o dinheiro na Inglaterra.
Nos governos modernos, o erotismo está na escrivaninha da sala presidencial, não na cama. Quase ninguém precisa seduzir a cunhada. Não há o que um celular ou um prestimoso Polônio não possa trazer aos prazeres do potentado. O falo contemporâneo é a caneta. Nomeia. Demite. Assina. Assassina. Envia Medidas Provisórias e permanentes ao Congresso. O maior dos afrodisíacos é o poder, já dizia Kissinger. E tinha razão. As cunhadas de Nelson Rodrigues, as estagiarias de Clinton e as calcinhas frouxas que Janio divisava do palanque. Dinheiro e sexo são drenados para os dutos com a mesma facilidade. O homem latino americano, confrontado com o poder, é mais fissurado no dinheiro do que no sexo, apesar de sua fama de machão. Aqui, o infortunado Hamlet não precisaria montar nenhuma representação trágica para produzir consciência e arrependimento. A comédia está representada no próprio ato de governar. O Estado não se inspira no Ágora, mas no quesito comédia do Teatro Grego. O Congresso Nacional deixaria Shakespeare atônito com esses personagens surgidos da periferia mas com a majestade dos bufões. O Judiciário é erudito, lento, solene e quase inútil – seus personagens são os mais próximos do padrão clássico, mas não chegam à tragédia. Podemos dizer, sobretudo incluindo o Executivo, que o poder no Brasil não produz tragédias individuais. É cômico. E na comédia, a tragédia são as conseqüências. O protagonista das conseqüências não é o tirano, mas o povo. Apesar da peça ser muito atual, não há a possibilidade de produzir-se um Hamlet na periferia do mundo. O último foi Che Guevara, mas sua mãe era uma mulher honesta.

enviada por Jorge da Cunha Lima



23/06/2008 10:26

AINDA O HAMLET DE WAGNER MOURA


SER OU NÃO SER EIS A QUESTÃO

Ser ou não ser não é o único grande monólogo de Hamlet, mas é o mais impactante. A prisão metafísica do pensamento ocidental coloca esta indagação no centro mesmo da compreensão da humanidade e de seus protagonistas.
Voltando ao meu próprio testemunho, lembro-me que Jean Louis Barrault, súdito da razão e do velho Descartes, é só metafísica. O distinto público perdia a respiração, não pelo desempenho do ator, mas pela ameaça. Não ser. Que desgraça.
Em Sergio Cardoso, o monólogo era uma indagação da própria sombra. O ser ou não ser queria dizer vingança. Matar ou não matar o tio. Mesmo na sombra o ser seria uma decorrência da inação.
Não sei o que dizer de Laurence Olivier, apenas que a língua é tanto dele quanto de Shakespeare, e um pobre latino americano, cuja segunda língua é o francês, não tem competência para avaliar as sutilezas de um dos maiores atores do mundo.
Na montagem de Aderbal Freire, que tem um realismo quase brejeiro, que nos conduz às maiores profundidades pelas portas mais abertas, o monólogo de Wagner Moura ainda não se descolou totalmente da metafísica, apesar da tradução renovadora "esta é a questão". Poderia.
O problema é se considerar o “ser ou não ser eis a questão” uma única frase. São três. “Ser” é uma coisa. Dirigida à humanidade, ao público inteiro da platéia, porque pertence a todos. Ninguém escapa de ser. “ Não ser” é uma opção pessoal. Pertence à pessoa. Pertence ao ator. Ele se permite não ser. Revela no gesto o não ser. “ Eis a questão” é uma indagação óbvia, não faz parte da gravidade da essência. É uma conclusão singela, solta no ar.
Imagino que a cena, representada pelo mímico Marcel Marceau, teria três tempos, lentos e diversos. No ser, ele apontaria levemente a mão para o público aterrado. No não ser, após uma pausa de tempo, porque o não ser não está colado ao ser, ele traria as duas mãos até o peito e abaixaria a cabeça, porque o não ser vai da cabeça aos pés. Eis a questão teria os dois braços abertos a uma conclusão que dispensa qualquer solenidade. Poderia ser anunciada num botequim. O resto , ainda não é silêncio, mas requer entonações segundo a opção do diretor.
O desdobrar-se do monólogo vai bem na montagem e na representação de Wagner Moura. A primeira frase pede mais tempo e uma pequena desconstrução. O calvário tinha três cruzes. O parágrafo de Shakespeare também.

enviada por Jorge da Cunha Lima



21/06/2008 01:22

HAMLET - PARA SEMPRE

WAGNER MOURA - A QUALIDADE DA EMOÇÃO

Acabo de sair do Teatro FAAP, onde assisti o Hamlet de Aderbal Freira – Filho, melhor dizendo, o Hamlet de Wagner Moura. Em minha vida já vi inúmeros Hamlet. Um privilégio do tempo. Vi Jean Louis Barrault no Teatro Santana, derrubado pela fúria imobiliária. Jean Louis era dicção. Seu monólogo chegava ao poleiro onde me encontrava com alguns colegas da Faculdade de Direito. Depois, vi o Sergio Cardoso. Como lembrou-me Silney Siqueira, o ator andava pelos fundos do palco, nunca chegava ao centro. Era uma sombra de si mesmo vagando pelo palco, numa bela interpretação. Laurence Olivier, também o vi, pontuava com a tradição inglesa, conceitos e melancolia, deixando vazar pelas frestas de um lábio fino, tanto o autor, Shakespeare quanto seu personagem preferido.
Wagner Moura tira o seu personagem da farsa, da própria representação dentro da representação. O personagem que ele produz nasce do próprio teatro. Do amor ao teatro que o personagem cultua e Wagner transforma em vida. Poucas vezes fiquei tão emocionado num teatro. Desde as primeiras falas, aos monólogos, à histeria, tudo é convincente e mesmo emocionante no desempenho de Wagner Moura.
A montagem de Aderbal Freire é tão competente que haver interpretações de menor porte não tem a menor importância. Tudo tem harmonia em torno da luz de Hamlet. Sem contar que o tônus de Polônio é muito interessante. Não se curva ao maneirismo bajulador mas ao humor profundo do serviçal. Ofélia é menos inglesa, é uma Ofélia brasileira, jogada às piranhas.
E, o que é muito, muito bom. Shakespeare aparece, transparece e tatua com impiedade a nossa pobre alma. Cada monólogo é uma lição de modernidade. Serve para a vida e para a conjuntura. Não é imortal enquanto dura, é imortal porque perdura. Bênçãos a uma dramaturgia que produz um Wagner Moura.


enviada por Jorge da Cunha Lima



18/06/2008 17:31

O SUBLIME, A COVARDIA E A CEGUEIRA

CANTANDO NA CHUVA

Creio que assisti umas seis vezes o filme de Gene Kelly e Cyd Charisse “ Cantando na Chuva”. O filme tinha uma graça e uma alegria contagiante. Nunca pensei que aquela mulher, dançarina clássica e grande atriz, tivesse idade. Morreu aos 86 anos. Tinha vida e idade.Era um ser humano como nós. Mas ao lado de Gene Kelly, na chuva, dançando na calçada, não eram deste mundo. Pertenciam àquela dimensão da transcendência comum aos anjos e aos poetas. Há algumas cenas em toda a história do cinema que se igualam àquela dança na calçada, poucas mais inesquecível.

COVARDIA INSTITUCIONAL

Bandido de caráter mata. Não entrega as vítimas para serem mortas pela facção oposta. Foi o que fizeram alguns soldados do exército no Morro da Providência, onde moravam três jovens. Doce nome o desse morro. Triste sina a desses moços. General Mauro Cesar pede perdão. O exército deve ficar por lá. Uma corporação não é responsável por todos os seus membros. Quando a gangorra do crime pende para o pior, começamos a ter medo da própria sombra. O que há de pior numa civilização é a degradação dos anjos da guarda.
O ministro da Defesa Nelson Jobim teve um gesto nobre: subiu ao morro para pedir desculpas.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Comecei a ler o livro de Saramago e já me arrisco a senti-lo. Compreendo que Meirelles o tenha querido filmar. Só a partir das alegorias poderemos compreender o mundo em que vivemos. O mundo está obvio demais para que o possamos compreender em plena luz do dia, talvez seja preciso uma abstinência da luz para que possamos entender a profundidade perdida desse privilégio, que é ver o outro. Perdida essa virtude, no mundo em que nos cruzamos com tanta indiferença, talvez seja necessário esse estágio probatório da cegueira e da proximidade compulsória para compreendermos o outro e respeitarmos essa virtude de ver. Não sei. Estou no começo, deslumbrado da leitura e ainda não vi o filme do nosso amigo Fernando Meirelles, mas já percebo que Saramago atingiu um dos grandes momentos da literatura universal.



enviada por Jorge da Cunha Lima



17/06/2008 17:08

RELAÇÃO ENTRE UNIVERSITÁRIOS E A MÍDIA

PERFIL CULTURAL DO UNIVERSITÁRIO

A FIESP realizou uma segunda pesquisa sobre hábitos culturais dos universitários, com assessoria da tradicional empresa Toledo & Associados. Esses hábitos revelam a profunda relação dos estudantes com a televisão comercial e com a televisão pública, no quesito " Hábitos de Mídia ".
João Guilherme Ometto, diretor da FIESP, comunicou-me, com algum espanto, a privilegiada posição da TV Cultura, no conceito dos universitários. Entre os que assistem TV Aberta, a GLOBO é a líder de audiência com 71%, seguida pela grande surpresa deste tipo de mídia, a TV CULTURA (=24%) praticamente empatada com o SBT e com a RECORD, ambas com 23%, mas abaixo da CULTURA.
A força da TV CULTURA está principalmente entre os universitários das escolas públicas. Entre estes a audiência da TV Pública paulista atinge 36% contra 64% da GLOBO , 19% da RECORD, 17% do SBT e 16% da MTV.
Na TV paga a liderança é da HBO.
Outro dado interessante refere-se à mídia escrita: 28% não lêem jornal nenhum e 25% não lêem nenhuma revista. O vilão desse baixo resultado é a Internet. Entre os jovens universitários de São Paulo, praticamente todos (=97%) costumam acessar esse veículo.

enviada por Jorge da Cunha Lima



15/06/2008 11:51

AS AGRURAS DE UM LOBO QUE NÃO É BOBO

ELEIÇÃO EM SÃO PAULO

Nas fábulas é sempre interessante estar na pele de um lobo. O lobo é forte, esperto e sempre leva a melhor. Na vida real não gostaria de estar na pele de José Henrique Lobo, presidente do diretório Municipal do PSDB. Ele é apenas o árbitro e o condutor da crise que envolve dois candidatos legítimos que pleiteiam com obstinação suas próprias candidaturas. O problema é que pertencem a partidos diversos, o PSDB e o DEM.
Como se sabe, Kassab, do DEM, foi vice e é sucessor de José Serra na prefeitura. Está conduzindo bem o seu mandato e foi de grande fidelidade à Serra e tem membros de diversas facções do PSDB em sua administração, o que as vezes é difícil mesmo em administrações do próprio PSDB.
Alckmin é um dos caciques do PSDB, foi bom governador, candidato com 40 milhões de votos a Presidência da República e quer ser candidato. Sabe muito bem que cavalo arreado deve ser montado. Seria candidato natural à sucessão de Serra, mas em política, meses valem anos e circunstâncias são circunstâncias. Alckmin sabe ainda que mais vale um pássaro na mão que uma revoada de incertezas. É candidato e pronto.
Lobo tem amigos e correligionários no PSDB. Tem amigos e acordados no DEM. Serviu com muita competência os três senhoresÇ Geraldo, Serra e Kassab. É presidente do PSDB e deve presidir a convenção que escolherá Alckmin.
Agora Lobo vai tentar que os dois candidatos não queimem as caravelas do segundo turno, no primeiro. Apesar da gana exterminadora eles devem manter pontes políticas para derrotar Marta Suplicy, candidata do PT, na segunda hora. Marta não é uma candidata para ser desconsiderada. Tem o apoio de um Lula ainda no auge da popularidade, da máquina controlada por Dilma, de um partido que precisa ganhar essa eleição para manter um espaço de poder pós Lula. Mas, para vencer, Marta terá que abocanhar algum ressentimento do eventual perdedor e seus eleitores.
A moral da fábula é que em política, candidato viável é sempre candidato.

enviada por Jorge da Cunha Lima



13/06/2008 17:22

O TELETEATRO TEM ALGUMA CHANCE?

DIREÇÕES E A DRAMATURGIA NA TELEVISÃO

O SESC iniciou ontem um grande seminário sobre a dramaturgia na televisão, a partir da revisão da experiência da TV Cultura com o programa Direções, assessorado por Antunes Filho.
Na platéia do SESC Vila Nova, muitos e muito jovens. No palco pessoas mais experimentadas na vida. Por isso afirmei logo de início em minha fala: velho não é quem fura com legitimidade a fila dos cinemas, mas quem já qualificou suas dúvidas. Vida Alves toma a brecha e diz que a velhice liberta a fala e o comportamento. Antunes afirmou que há uma diferença profunda entre as novidades e o novo. Tenho a impressão de que para o Danilo, diretor do SESC, novo é realizar todos os dias.
O depoimento de Vida Alves foi belíssimo. –Velhice, para mim, é pedir a ajuda de um jovem bem bonito para atravessar a rua com ele, de braços dados.
-Novo é retornar às raízes, pondera Antunes.
Álvaro Moya é a memória viva da televisão. Lembra-se dos mais íntimos detalhes. Falou-nos do papel da TV Excelsior, como pioneira da profissionalização da televisão e do Teatro de Vanguarda.
Lauro César Muniz falou do processo de elaboração de uma novela e de toda a sua trajetória no campo da dramaturgia.
Ficou unânime a idéia de que a televisão vive uma transição e precisa reencontrar-se com a qualidade e inovar na linguagem televisiva. Gabriel Prioli resumiu esses desafios, sobretudo o da dramaturgia na televisão.

enviada por Jorge da Cunha Lima



13/06/2008 12:19

AVILA MADALENA DOS MEXICANOS

A ZONA ROSA

A cidade de São Paulo é mais multirracial do que a Cidade do México. No México, a presença visível é de brancos e descendentes de índios. O que sobrou da revolução socialista pertence a esses descendentes: reserva de lugares nos teatros nacionais e instituições culturais, nacionalismo exuberante e a lembrança, que lhes pertence, dos heróis da pátria, de Zapata à Benito Juarez.. Os artistas representativos também são índios.
A riqueza, a erudição ocidental e o poder, ficam para os brancos. O apartheid é subjetivo. Há mulheres da sociedade que não se depilam nem raspam as axilas para não parecerem índias, que nascem sem pelos..
Polanco, o bairro chic, é branco com sua Avenida Masarik, uma Daslú com 1 km de extensão.
Democrática é a Zona Rosa, onde fica o Hotel de Gênève. Trata-se de um quadrilátero boêmio, com ruas arborizadas, canteiros, com nomes de cidades européias. Mistura tudo, índios, brancos, empresários, modelos, engraxates, mas sobretudo prostitutas e gays. Suas lojas, sem preconceito, vão do artesanato às grifes mais famosas, A Zara, por exemplo, é colonial por fora e moderníssima por dentro.
Na mesma rua Londres, onde fica o hotel, estão as feiras artesanais e a Praça de Antiguidades, com produtos que variam de dois mil a um milhão de dólares.
A polícia está por toda a parte, na mesma proporção dos marginais. A área é tensa, muita paquera bandida. Jovens índios, provavelmente gays, andam de mãos dadas ou abraçados, com a maior tranqüilidade. Não vi nenhum branco de mãos dadas, ainda que com ares afetados. Na Zona Rosa , mulheres concorrem com as árvores, em graça e em quantidade, mas não são bonitas para nosso olhar ocidental e preconceituoso.
Já a beleza e a prostituição de tipo ocidental, se encontra em Polanco, o bairro da “elite branca e cruel”, como a adjetivou o Governador Claudio Lembo.
-

enviada por Jorge da Cunha Lima



11/06/2008 15:04

MORRE O ÚLTIMO GÊNIO DA MODA

Yves Saint Laurent

O Brasil também teve seu grande estilista, naqueles tempos chamado costureiro. Era o Denner Pamplona, criatura conflitante, mas de uma lúcida ambivalência. Vivia vestido de veludos pretos e quando lhe imputavam a condição de viado aparecia com uma linda mulher, à qual dedicava carinhos e até prole. Sua fama veio do reconhecimento das clientes da alta sociedade, tão caipira quanto paulistana e da força que lhe davam os grandes cronistas sociais: Tavares de Miranda, Alik Kostakis e o Pacheco, dos Diários Associados. Quem não tivesse o aval dos três ficaria relegado à mais prosaica periferia. Lembro-me do Denner, sentado aos pés de Vivien Leigh, numa “bergère” da casa do Vitor Simonsen, após a apresentação triunfante da Dama das Camélias, no Teatro Municipal. Depois do Denner não tenho notícia de um grande costureiro brasileiro, a não ser pelo jovem Lourenço que desponta em plena adolescência. Pode ser que Glorinha Kalil indique outro.
Falo dessas coisas prosaicas, a partir da notícia da morte de Yves Saint Laurent. Imaginem vocês um imigrante argelino, de 17 anos, desembarcar em Paris e triunfar na mais famosa casa de costura do mundo, a Dior, e logo transformar-se no seu símbolo. Isso numa época em que a França e a Argélia não se bicavam, ao contrario, se metralhavam. Isso, ainda, num país que tinha pelo menos uma dezena de costureiros famosos: Chanel, Balenciaga, Jacques Fath, Givenchi, Paco Rabane e Schiaparelli, entre outros.
Antes de morrer, aos 71 anos, Yves Saint Laurent disse uma coisa interessante, sobretudo para um costureiro: O mais importante não é o que se coloca sobre o corpo de uma mulher.



enviada por Jorge da Cunha Lima



10/06/2008 15:04

O DISSENSO DE WASHINGTON

OBAMA ANUNCIA A SUA PRIORIDADE: ECONOMIA

Só o fato de um negro ser indicado candidato à presidência dos Estados Unidos já representa uma capacidade incrível de renovação da democracia norte americana. Uma mulher, quase ser indicada, confirma essa capacidade renovadora.
Obama é filho de um muçulmano com uma branca americana, não descende de escravos, mas de um africano imigrante, não nasceu no continente,enfim, não é um WASP.
Tudo indica que a campanha de Obama dará início ao desmanche da política macro econômica adotada pelos Estados Unidos e imposta ao mundo inteiro após o Consenso de Washington. Primeiro Obama já escolheu como tema principal da campanha a economia americana. Isso não deriva apenas de sua vontade, mas ao mal estar criado pela crise econômica desencadeada no e pelo governo Bush e que está afetando diretamente a vida do eleitor e do cidadão norte americano. Quatro dólares por galão de petróleo, num país em que o automóvel é a terceira mão de um homem, não é valor tolerável.
Uma vez, anos atrás, Henrique Meirelles já me havia dito que nenhuma nação agüenta despesas ilimitadas de guerra associadas à baixa de impostos das camadas mais favorecidas. Deu no que deu. Obama vai ter que mudar o foco do debate e produzir projetos convincentes. Enquanto isso MacCain anuncia que seu tema será o mesmo de Bush: a segurança.
MacCain não aprendeu com o grande historiador inglês Edward Gibbon, autor da Queda do Império Romano, que a decadência não vem de fora para dentro, mas se processa dentro das próprias instituições. As armas nucleares nunca constatadas do Iraque são menos relevantes como causa da crise atual do que a própria guerra e os empréstimos irresponsáveis feitos pelos bancos americanos a devedores temerários.

enviada por Jorge da Cunha Lima



10/06/2008 09:30

O DISSENSO DE WASHINGTON


OBAMA E A NOVA ECONOMIA

Só o fato de um negro ser indicado candidato à presidência dos Estados Unidos já representa uma capacidade incrível de renovação da democracia norte americana. Uma mulher quase ser indicada confirma essa capacidade renovadora.

Obama é filho de um muçulmano com uma branca americana, não descende de escravos, mas de um africano imigrante, não nasceu nos Estados Unidos, mas no Haway, enfim, não é um WASP.

Tudo indica que a campanha de Obama dará início ao desmanche da política macro econômica adotada pelos Estados Unidos e imposta ao mundo inteiro após o Consenso de Washington. Primeiro Obama já escolheu como tema principal da campanha a economia americana. Isso não deriva apenas de sua vontade, mas ao mal estar criado pela crise econômica desencadeada no e pelo governo Bush e que está afetando diretamente a vida do eleitor e do cidadão norte americano. Nove dólares por galão de petróleo, num país em que o automóvel é a terceira mão de um homem, não é valor tolerável.

Uma vez, anos atrás, Henrique Meirelles já me havia dito que nenhuma nação agüenta despesas ilimitadas de guerra associadas à baixa de impostos das camadas mais favorecidas. Deu no que deu. Obama vai ter que mudar o foco do debate e produzir projetos convincentes. Enquanto isso Mac Cain anuncia que seu tema será o mesmo de Bush: a segurança.

Mac Cain não aprendeu com o grande historiador inglês Edward Gibbon, autor da Queda do Império Romano, que a decadência não vem de fora para dentro, mas se processa dentro das próprias instituições. As armas nucleares nunca constatadas do Iraque são menos relevantes como causa da crise atual do que a própria guerra e os empréstimos irresponsáveis feitos pelos bancos americanos a devedores temerários.







enviada por Jorge da Cunha Lima



09/06/2008 08:04

TV CULTURA: ASVIRTUDES DE UM CONSELHO

ELEIÇÕES PARA RENOVAÇÃO DE MEMBROS

A qualidade reconhecida da programação da TV Cultura, deve-se muito à existência de um Conselho Curador, altamente representativo da sociedade, e que nomeia o presidente executivo e zela pelo cumprimento de sua missão. O conselho tem o equilíbrio de uma composição ponderada: representantes natos de instituições da sociedade civil e representantes eletivos. Os primeiros vêm das universidades, das Associações culturais, de Instituições liberais e de secretarias de estado e município de educação e cultura. Os membros eletivos são personalidades culturais, artísticas, empresariais e mesmo políticas.Os membros natos são sempre os presidentes de instituições, os reitores e os secretários de estado. Os eletivos são eleitos pela maioria absoluta do conselho, mas escolhidos por oito indicações de membros eletivos do conselho.
Esse modelo de conselho, representativo da sociedade, tem sido sugerido às televisões estaduais e federais do Brasil, posto que a independência administrativa, intelectual e editorial de uma televisão é indispensável para sua qualificação como televisão pública.Só essa condição permite que a programação se distancie igualmente dos parâmetros do mercado e dos interesses dos governos.
Hoje, em reunião extraordinária, o Conselho fará a renovação dos membros do Conselho Curador, com a eleição de quatro novos candidatos, e reeleição de dois. Com a saída compulsória de Ioshiaki Nakano, José Carlos Dias, Irene Ravache e José Roberto Melhem (falecido), foram indicados para substituí-los Gabriel Jorge Ferreira, Sabine Lovatelli, Paulo Roberto Mendonça e Paulo Mendes da Rocha, representantes do mundo financeiro, artístico, cinematográfico e da arquitetura nacional. Paulo Mendes conquistou o Prêmio Príncipe de Astúrias, um dos maiores prêmios de arquitetura do mundo. Têm indicação compulsória para a reeleição o jurista Belisário dos Santos Jr e o publicitário Fernando Furquim.

enviada por Jorge da Cunha Lima



08/06/2008 13:51

MEXICO- UM HOTEL LEGENDARIO

Hotel de Genève

-
enviada por Jorge da Cunha Lima



08/06/2008 10:00

UM HOTEL LEGENDARIO NO MEXICO

VALE A PENA VER

Em 1868 foram construídos uns apartamentos, num local da Cidade do México, hoje denominado Zona Rosa. Em 2007 inauguraram o mais antigo hotel da cidade, o famoso Hotel de Genève, com suntuosa decoração, fontes de água de ferro fundido, pinturas clássicas nas paredes e pisos de mármore. Na rua, quase deserta, já circulava o bonde elétrico.
Hoje, em suas vitrines, vemos recordações de Churchill, em torno à sua fotografia, com dois charutos cubanos, um corta charuto de madrepérola, uma caneta de prata com pena de ouro e um binóculo.
Há ainda uma vitrine dedicada ao ditador Porfírio Diaz, outra com uma foto de galã do Zapata, ainda bem moço. Noutra vitrine vemos utensílios de viagem de atrizes famosas que freqüentavam o hotel.
Hoje, reformado, o hotel pertence a Carlos Slim. Aliás, tudo pertence a Carlos Slim, porque afinal lhe pertence todo o sistema de telecomunicações do país.
Mas Slim, o filho de comerciantes libaneses, começou a vida pobre, bem mais pobre do que seus primos, que tinham os melhores iates do Golfo do México e as melhores casas da Capital,. Obstinado, Slim começou com um café e logo transformou-o em uma rede de alimentação, hoje a maior cadeia de comidas do México: a SANBORNS.
O hotel é fantástico, com suas salas e quartos magníficos, mas o imenso restaurante Sanborns, num imenso salão estilo “ kitsch-azteca” , é péssimo. Pior que a demora, só a comida. Vale a visita se você for à Cidade do México.

enviada por Jorge da Cunha Lima






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)

Perfil

Jorge da Cunha Lima

POETA, publicou "Ensaio Geral" Martins Editora, "Mão de Obra" Brasiliense, "Véspera de Aquarius" Paz e Terra,

PROSADOR, fez "O Jovem K" romance, Siciliano, "Cultura Pública"artigos, Senac.

SECRETARIO DA CULTURA criou as Oficinas Culturais tombou a Serra do Mar coordenou a Campanha das Diretas.

PRESIDENTE DA GAZETA criou a TV MIX.

PRESIDENTE DA TV CULTURA lançou o Jornalismo Público lançou o Cocóricó lançou a Ilha Ra Tim Bum

RSS

Links

Arquivos